Integração das novas tecnologias para uma pesca local sustentável e segura

JULHO 2019 - DEZEMBRO 2020

 

 

SMART FISHING

 

CALL: MAR2020

 

APRESENTAÇÃO

LITERACIA OCEÂNICA

“...compreendendo a influência do oceano em nós e a nossa influência no oceano!”

UNESCO, 2017

A presente proposta de inovação apresenta uma operação coletiva consistente, contínua e sistémica para o desenvolvimento de uma solução tecnológica integrada denominada “Smart fishing. Integração das novas tecnologias para uma pesca local sustentável e segura”.

A ênfase nesta problemática surge na sequência do trabalho desenvolvido no âmbito do Observatório de Literacia Oceânica (www.olomare.space), um grupo de investigação do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente – Centro MARE (http://www.mare-centre.pt/), do polo da Universidade NOVA de Lisboa, o qual é constituído por cientistas de diversas áreas do conhecimento e pescadores de várias artes de pesca local. O trabalho desenvolvido pelo Observatório de Literacia Oceânica tem evidenciado lacunas em operações complementares no domínio da gestão e organização operacional da pesca local na região de Almada. Assim, define-se como objetivo da presente proposta suprir a emergente necessidade de uma solução tecnológica integrada que, no âmbito da gestão e organização operacional da pesca local, assegure a sustentabilidade e a segurança da atividade piscatória nesta região. Define-se igualmente como objetivo da presente proposta implementar uma metodologia colaborativa que envolva diretamente cientistas e pescadores na construção desta solução.

A abordagem transdisciplinar e transcultural adotada pelo Observatório de Literacia Oceânica dentro do campo da investigação, tornou localmente percetível lacunas no encontro dos diferentes conhecimentos – tradicional, técnico e científico, nas práticas de pesca local. Em consequência dessas lacunas, a sustentabilidade e a segurança da pesca local é posta em causa, nomeadamente através (1) da falta de motivação (enquanto constructo social da compreensão da razão) do pescador local no cumprimento da legislação vigente, (2) da inadequação dessa legislação (e da forma como é implementada) face às práticas da pesca local e (3) da falta de qualificação integral dos pescadores locais. Esta abordagem converge na colaboração ativa e crítica que os pescadores locais têm exercido nos estudos deste grupo de investigação, para além da habitual comunidade científica clássica. Este processo inovador de encontro dos diferentes conhecimentos locais tem revelado tanto a existência de operações disjuntas e dicotómicas dentro do que entendemos como a grande comunidade piscatória compreendida na orla costeira do município de Almada, como a necessidade da criação de soluções colaborativas, críticas, eficientes e sociocultural e politicamente contextualizadas que estimulem este encontro.

Dado este enquadramento, foi elaborada a presente proposta com o intuito de desenvolver uma solução inovadora integrada, através do encontro dos diferentes conhecimentos locais. O estudo-piloto para o desenvolvimento da solução conjunta que se propõe integra as comunidades piscatórias do município de Almada, nomeadamente a área geográfica delimitada desde a costa ribeirinha do Caramujo até à costa marítima da Fonte da Telha, passando por Cacilhas, Banática, Porto Brandão, Trafaria, Cova do Vapor e Costa de Caparica. Central ao desenvolvimento desta solução está a consciencialização da construção coletiva de novos conhecimentos costeiros e marítimos integrando as bases intelectuais tradicionais, técnicas e científicas, para criar capital intelectual significativo, crítico e colaborativo visando práticas piscatórias locais sustentáveis e seguras.

O desenvolvimento de uma solução tecnológica integrada (Figura 1) estrutura-se em uma operação composta por linhas de atividade que implementem e dinamizem, de forma coletiva, (1) a sensibilização no âmbito da sustentabilidade e segurança na pesca local, que inclui as comunidades piscatórias, o seu capital intelectual e o capital natural local, (2) a responsabilização no âmbito da utilização das tecnologias na sustentabilidade e segurança das práticas da pesca local, e (3) a monitorização, no âmbito da legislação de pesca vigente, da eficiência da utilização das ferramentas tecnológicas desenvolvidas com as comunidades piscatórias. Tal operação (a) fortalece o capital natural e intelectual local, (b) resignifica as comunidades piscatórias locais como integrantes nas decisões políticas da pesca local e, simultaneamente, (c) capacita e reforça a ligação entre pescadores, cientistas e decisores políticos/autoridades do mar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                            Figura: Solução Tecnológica Integrada (STI)

© 2017 by OLO Mare